Quinas e Cantos Express
E porque fé, quando não se tem, se inventa e principalmente porque Deus, se é que existe, anda distraído demais, resolvi chamar a atenção dele para algumas coisas. Não que isso possa acordá-lo de seu imenso sono divino, enfastiado de humanos, mas para exercitar o ritual e a fé – e para pedir, mesmo em vão, porque pedir não é só bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal. Neste zero grau de Libra, queria pedir isso a que chamamos Deus um olho bom sobre o planeta Terra. Um olho quente sobre o mendigo gelado que acabei de ver sob a marquise do cine Majestic; Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Passeia teu olhar fatigado pela cidade suja, Deus, e pousa devagar tua mão na cabeça daquele que, de noite, liga para o CVV. Olha bem pelo rapaz que, absolutamente só, dez vezes repete Moon Over Bourbon Street e chora. Coloca um spot bem brilhante no caminho das garotas performáticas que para pagar o aluguel dão duro como garçonete pelos bares. Olha também pelo motorista de táxi que confessa não ter mais esperança alguma. Olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer que não a são, e viver outra vida que não a que vivem. Deita teu perdão sobre os homossexuais tontos de amor não dado, sobre as prostitutas seminuas, sobre os travestis, sobre os porteiros dos prédios comendo sua comida fria nas ruas. Sobre o descaramento, a sede e a humildade, sobre todos que de alguma forma não deram certo, sobre todos os que continuam tentando por razão nenhuma – sobre esses que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões. Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio – não. Derrama sobre elas o seu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada. Que no zero grau de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas, para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo o dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse do zero grau de Libra.
Zero Grau de Libra, Caio Fernando Abreu

Planet Earth is blue, and there’s nothing I can do

A batalha de Helm`s deep reproduzida em Lego. Eu quero! (não vou ter onde guardar, mas quero).

legotoday:

Lego Helm’s deep redefines the term ‘Epic Battle’

Everyone in me is a bird.
I am beating all my wings.
They wanted to cut you out
but they will not.
They said you were immeasurably empty
but you are not.
They said you were sick unto dying
but they were wrong.
You are singing like a school girl.
You are not torn.

Sweet weight,
in celebration of the woman I am
and of the soul of the woman I am
and of the central creature and its delight
I sing for you. I dare to live.
Hello, spirit. Hello, cup.
Fasten, cover. Cover that does contain.
Hello to the soil of the fields.
Welcome, roots.

Each cell has a life.
There is enough here to please a nation.
It is enough that the populace own these goods.
Any person, any commonwealth would say of it,
“It is good this year that we may plant again
and think forward to a harvest.
A blight had been forecast and has been cast out.”
Many women are singing together of this:
one is in a shoe factory cursing the machine,
one is at the aquarium tending a seal,
one is dull at the wheel of her Ford,
one is at the toll gate collecting,
one is tying the cord of a calf in Arizona,
one is straddling a cello in Russia,
one is shifting pots on the stove in Egypt,
one is painting her bedroom walls moon color,
one is dying but remembering a breakfast,
one is stretching on her mat in Thailand,
one is wiping the ass of her child,
one is staring out the window of a train
in the middle of Wyoming and one is
anywhere and some are everywhere and all
seem to be singing, although some can not
sing a note.

Sweet weight,
in celebration of the woman I am
let me carry a ten-foot scarf,
let me drum for the nineteen-year-olds,
let me carry bowls for the offering
(if that is my part).
Let me study the cardiovascular tissue,
let me examine the angular distance of meteors,
let me suck on the stems of flowers
(if that is my part).
Let me make certain tribal figures
(if that is my part).
For this thing the body needs
let me sing
for the supper,
for the kissing,
for the correct
yes.

Anne Sexton, In Celebration of My Uterus
Escritores & gatos: como não amar?

Escritores & gatos: como não amar?

… Don’t tell me my dreams are fake.

… Don’t tell me my dreams are fake.

São 3:08 da manhã.

- Gatos não têm nomes – disse.

- Não? – perguntou Coraline.

- Não – respondeu o gato. – Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.

Neil Gaiman, Coraline

Submission - Theo Van Gogh

ponho 10 pila no Monet.

ponho 10 pila no Monet.